Governador de São Paulo foi reeleito com 62,65% dos votos válidos. Segundo ele, os próximos dias serão dedicados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Eleito com 62,65% dos votos válidos, o Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, após o discurso de vitória na noite deste domingo (4), que saúde e segurança pública serão as prioridades de seu segundo mandato. Ele também prometeu entregar em 2030 a nova sede do governo paulista no Centro da capital, um ano antes do prazo previsto em contrato.
Tarcísio acompanhou a apuração dos votos no espaço Villaggio JK, na Vila Olímpia, Zona Sul da capital, ao lado dos companheiros de chapa André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) — eleitos para o Senado.
Segundo o governador, os próximos dias serão dedicados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) antes do início da estruturação do novo governo estadual.
O governador também disse que a gestão pretende ampliar o uso de tecnologia para aproximar os serviços públicos da população, especialmente nas áreas da saúde e da segurança.
“A gente vai olhar muito saúde e segurança pública. São duas áreas. A gente vai trazer muita tecnologia para tornar saúde e segurança pública mais próxima do cidadão, mais digital. O estado vai ser mais dinâmico”, declarou.
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O governador também prometeu entregar em 2030, último ano do segundo mandato, o Centro Administrativo Campos Elíseos, nova sede do governo. Atualmente, o contrato das obras prevê conclusão em 2031.
“A gente vai começar as obras do Centro Administrativo. Tem um prazo contratual que vai até 2031, mas a gente pretende antecipar e entregar isso até 2030”, disse.
Tarcísio classificou o projeto como “icônico” e afirmou que ele faz parte da estratégia de revitalização do Centro de São Paulo. Segundo o governador, a transferência de milhares de servidores para a região deve impulsionar a atividade econômica e reforçar a ocupação do centro da cidade.
“O centro administrativo vai ganhar um impulso porque estamos falando de servidores trabalhando lá, de restaurante, academia, hotel, do Boulevard da Cultura, do Parque do Moinho e da mobilidade urbana”, afirmou.
Além da nova sede do governo, Tarcísio citou entre os projetos estratégicos do segundo mandato o túnel Santos-Guarujá, o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas e a expansão da malha metroferroviária.
Segundo ele, a gestão vai acompanhar de perto o cronograma das obras, incluindo, na Grande São Paulo, a ampliação da operação da Linha 17-Ouro, o avanço da Linha 6-Laranja até a estação São Joaquim, a expansão da Linha 2-Verde em direção a Guarulhos e a conclusão de novos trechos previstos para os próximos anos.
O carioca Tarcísio de Freitas (Republicanos) transformou o discurso de vitória em uma celebração da reeleição, mas também em um aceno para a disputa presidencial. Tarcísio afirmou que vai trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e disse que o resultado em São Paulo mostrou “o que a gente é capaz”.
A fala foi seguida por um movimento que deixou explícita a prioridade política do governador para a segunda etapa da eleição. Durante o discurso, Tarcísio fez duas ligações. A primeira foi para o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), reeleito por Minas Gerais com mais de 3,1 milhões de votos.
Ao parabenizar Tarcísio, Nikolas afirmou: “São Paulo enterrou o PT”. A declaração foi ovacionada pelos apoiadores presentes no evento.
Na sequência, Tarcísio ligou para Flávio Bolsonaro. Antes, havia afirmado que vai trabalhar pela eleição do senador no segundo turno. Segundo o governador, amanhã ele já vai se encontrar com o aliado em Brasília para traçar as próximas estratégias.
O governador também agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, a quem atribuiu parte de sua trajetória política.
“Quero agradecer Jair Bolsonaro, que me abriu as portas há muito tempo e passa por sofrimento hoje. O tempo da justiça vai chegar”, disse.
A referência ao ex-presidente veio acompanhada de uma declaração de continuidade da aliança política. Tarcísio também afirmou que pretende atuar na eleição presidencial depois de conquistar a própria reeleição em São Paulo.
O governador ainda agradeceu a Deus: “É um dia de gratidão a Deus, senhor de tudo, entrego todos os projetos nas mãos dele”.
Durante o discurso de vitória, Tarcísio também agradeceu ao trabalho do prefeito Ricardo Nunes ao longo da corrida eleitoral: “É um grande companheiro que faz a diferença”.
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Disputa com cara de 2° turno
Em 2026, os dois repetiram a disputa de 2022, mas em uma configuração diferente. Se há quatro anos Tarcísio e Haddad precisaram avançar ao segundo turno para decidir a eleição, desta vez os dois chegaram à reta final do primeiro turno como os principais nomes da corrida. O resultado foi uma campanha de primeiro turno com características de segundo turno.
Antes da pré-campanha, Haddad resistiu em disputar o comando do Palácio dos Bandeirantes pela segunda vez contra Tarcísio, mas acabou convencido pelo presidente Lula a deixar o Ministério da Fazenda e entrar na corrida.
Ao longo da disputa, as pesquisas mostraram Tarcísio largamente à frente durante praticamente toda a campanha: ele saiu da casa dos 40% e chegou a 50% dos votos totais, enquanto Haddad ficou por muito tempo em torno de 20% e só avançou para a casa dos 30% no fim.
Com poucos candidatos competitivos, a campanha estadual perdeu espaço para as eleições presidenciais e para o Senado. A possibilidade do candidato do Republicanos vencer no primeiro turno também reduziu o interesse pela corrida.
Campanha
A campanha de 2026 foi marcada pela tentativa de Tarcísio de apresentar os resultados de sua primeira gestão e, ao mesmo tempo, manter a associação política com o campo bolsonarista. Do outro lado, Haddad procurou explorar problemas da administração estadual e nacionalizar a disputa, principalmente ao relacionar o governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
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No último debate, realizado pela Globo, Haddad falou sobre a entrada do Comando Vermelho no interior e acusou a facção de se infiltrar em instituições públicas e privadas, como o transporte público da capital. Tarcísio rebateu destacando a redução de indicadores criminais durante sua gestão e atacou relações de políticos ligados ao PT com pessoas investigadas.
A disputa também foi marcada pela nacionalização. Haddad associou Tarcísio ao governo Bolsonaro e criticou a condução da pandemia durante a gestão do ex-presidente. Tarcísio, por sua vez, levou para o debate críticas ao governo Lula e à atuação de Haddad como ministro da Fazenda.
Tarcísio, por outro lado, defendeu os resultados da empresa e argumentou que a privatização ampliou sua capacidade de investimento. No último debate, Haddad citou problemas recentes de abastecimento e uma orientação da Sabesp relacionada ao consumo de água na Baixada Santista. O governador respondeu que não havia problema de potabilidade e atribuiu a situação à turbidez provocada pelas chuvas.
Saúde e educação também estiveram entre os temas explorados pelos candidatos. Haddad criticou filas e problemas no atendimento e apresentou propostas para ampliar a oferta de serviços, enquanto Tarcísio destacou investimentos em saúde digital e telemedicina. Na educação, o petista atacou a situação de crianças atípicas nas escolas, e o governador respondeu destacando resultados da política educacional e o chamado selo ouro concedido pelo Ministério da Educação a São Paulo.
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Quem é Tarcísio
Engenheiro e ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas entrou na política eleitoral em 2022, quando foi escolhido por Bolsonaro para disputar o governo de São Paulo pelo Republicanos. Naquele ano, ao disputar sua primeira eleição, venceu Haddad no segundo turno e se tornou o primeiro governador do estado eleito pelo partido.
No governo paulista, manteve proximidade política com Bolsonaro e consolidou uma posição de liderança no campo da direita em São Paulo. Ao longo do primeiro mandato, sua gestão teve como uma das principais marcas a agenda de concessões e privatizações, incluindo a Sabesp, além de investimentos em infraestrutura.
A segurança pública ganhou espaço no programa de governo para o segundo mandato, aparecendo como o primeiro dos dez eixos apresentados pela campanha, à frente de saúde e educação.

