Primeiras feiras de Osasco aconteciam em carroças

Primeiras feiras livres de Osasco começaram na década de 1950 com comerciantes utilizando carroças para vender produtos pelas ruas da cidade. Crédito das fotos: Arquivo Secom / Arquivo Pessoal Família Aristides

Família Aristides mantém tradição feirante iniciada há mais de 70 anos e atravessa gerações no comércio popular de Osasco.

A história das primeiras feiras livres em Osasco remonta ao ano de 1957, época em que a cidade ainda não havia sido emancipada (só ocorreu em fevereiro de 1962). Era uma comarca de São Paulo. E o comércio era feito em carroças, em pontos fixos, tal como é atualmente. Eram apenas dois locais, conforme relato de feirantes: um na Vila dos Remédios e um na Avenida João Batista, no centro.

Uma das famílias que iniciaram as atividades no comércio de rua, hoje as chamadas feiras livres, era descendente de imigrantes portugueses. A tradição se manteve desde então e atravessou gerações.

A trajetória da família Aristides foi iniciada na década 1950 por Manuel Aristides e sua esposa Alice, já falecidos, teve sequência com o filho Luiz Moreira Aristides, aposentado e hoje com 68 anos. Agora quem carrega o bastão, ou melhor, as caixas com produtos, é o neto de Manuel, Robson Luiz de Souza Aristides, 45. A família conta atualmente com 15 feirantes, entre filhos, tios e primos. Cada um comanda uma banca em regiões diferentes da cidade (centro, zona Norte e zona Sul).

Arquivo pessoal família Aristides

“Meus avós começaram nos anos 1950 vendendo em carroças. Naquela época só tinha o que hoje chamamos de feira em dois lugares, uma na Vila dos Remédios e outra na Avenida João Batista, no centro. A tradição de feirante foi mantida e eu posso dizer que nasci e cresci em uma feira. Quando pequeno, ficava dentro de uma caixa enquanto meus pais trabalhavam. No início a família vendia legumes e hoje comercializamos frutas”, conta.

Apesar do crescimento da cidade, a expansão dos negócios em família, e a proximidade de Osasco com a Ceagesp (Vila Leopoldina, na zona Oeste da capital, local onde os feirantes compram seus produtos), Robson Luiz avalia que hoje a atividade de feirante é mais difícil do que foi no passado. “A concorrência é maior. Antes havia mais facilidade para vender. Mas as feiras de Osasco são muito dinâmicas, se compararmos com cidades que têm praticamente o mesmo número de habitantes, e isso nos faz seguir adiante. Não é fácil madrugar todos os dias para retirar os produtos no Ceasa e ir para a feira nas primeiras horas do dia vencer, mas para mim é algo muito especial manter essa tradição”.

Osasco tem atualmente 54 feiras livres, sendo 52 diurnas que funcionam das 7h às 14h, de terça a domingo, e duas noturnas, das 17h às 22h.

A maior feira livre da cidade acontece aos domingos, na Avenida João de Andrade e reúne 360 bancas numa área e aproximadamente um quilômetro, por onde passam cerca de 40 mil pessoas.

Os produtos mais procurados nas feiras são: hortifruti, legumes, verduras e frutas. As demais bancas são de peixes, frango, laticínios, ovos, temperos, pastéis, caldo de cana, plantas, empório, ferragens, vestuário e calçados.

Aproximadamente 400 mil pessoas passam semanalmente pelas 54 feiras da cidade. As feiras mais movimentadas são: sexta-feira (Rochdale e Vila dos Remédios); sábado (Mutinga, Bela Vista, Quilômetro 18); domingo (Santo Antônio, Helena Maria, Rochdale e Analice Sakatauskas), com público médio de 15 a 40 mil pessoas por feira.