Primeiros 100 dias de governo em Barueri: uma cidade cheia de desafios estruturais e urgências que exigem ação e planejamento
Uma eleição com pouco engajamento popular, mas muitas promessas de transformação. Assim pode ser resumido o pleito municipal de Barueri em 2024. Ao fim da apuração, a população praticamente reconduziu o atual prefeito ao cargo pela terceira vez seguida, com a vitória do seu indicado — agora com a missão de dar continuidade a uma gestão que tem enfrentado antigos desafios, mas também graves urgências.
Passados os primeiros 100 dias deste novo ciclo, a cidade segue convivendo com questões estruturais que impactam o dia a dia do cidadão barueriense: mobilidade urbana congestionada, carência de creches em algumas regiões, pressão e muito descaso na saúde pública, e desafios em garantir segurança e mais qualidade no transporte coletivo, principalmente para os trabalhadores que vêm de bairros mais afastados.
Há ainda a inquietação crescente quanto à ocupação desordenada do território, à verticalização acelerada sem qualquer planejamento urbano sério e profundo. A desigualdade social se mostra cada vez mais evidente – em uma cidade com um dos maiores PIBs do Brasil, ainda há famílias que enfrentam dificuldade para garantir o básico.
E não se pode deixar de citar o impacto das mudanças climáticas, que têm provocado episódios de alagamentos e instabilidade nos serviços públicos – especialmente energia e saneamento – em momentos de chuva intensa.
Questões administrativas também se impõem: qual o nível de transparência da gestão municipal? Como está sendo feita a alocação dos recursos orçamentários? E, mais ainda, como se dá a relação entre o Executivo e a Câmara Municipal, especialmente em um contexto político que exige diálogo, articulação e compromisso com resultados?
A falta de planejamento parece continuar ser o traço mais significativo da cidade e de suas administrações.
É verdade: muitos desses problemas são antigos. Mas a esperança de mudança se renova a cada dia, até porque a esperança sempre é a última que morre no brasileiro. O voto, afinal, é uma expressão de confiança e de expectativa: a de ver avanços concretos, serviços funcionando melhor, bairros mais cuidados e oportunidades mais acessíveis para todos.
Nesse sentido, o debate sobre o que foi feito nesses primeiros 100 dias de governo é essencial. Que medidas já foram tomadas para destravar gargalos históricos? O que há de promissor no horizonte? A cidade está avançando, ou apenas mantendo a rotina?
Essas e outras questões deveriam estar no centro dos tantos cafés que o atual prefeito tem tomado no seu gabinete. Afinal, são 100 dias de muitos reels, muitos posts, muito tráfego e pouca solução.
Ainda seguimos na esperança de um olhar para a cidade com profundidade e senso crítico, trazendo especialistas que entendem a gestão pública local e os dilemas de uma cidade que cresceu rápido, mas precisa cuidar das pessoas com o mesmo ritmo com que desenvolve seus números.
*Moradora de Barueri (SP), Gaby Morais é estrategista e referência em representatividade feminina. Com mais de duas décadas de experiência em campanhas políticas nacionais e internacionais, a profissional é especialista em capacitar e qualificar mulheres para a política. Gaby é formada em Inteligência Estratégica, mestre em Marketing Político e Campanhas Eleitorais pela Universidade de Alcalá, na Espanha, e possui MBA em Gestão Pública. Também é criadora do podcast Voz da Vez, que debate o olhar mais humano para o futuro através da perspectiva feminina e da Revista Eletrônica Gabynete, que debate temas políticos
Por: Gaby Morais