Vítima teve o braço fraturado e precisou de atendimento hospitalar; pais do suspeito e um amigo também participaram da violência, aponta boletim de ocorrências.
Resumo:
- Gustavo Schiphorst, assessor do vereador e deputado federal eleito Jair Renan Bolsonaro (PL), é investigado por agredir o próprio primo em Florianópolis.
- Violência teria ocorrido no domingo (25) após comemoração da vítima pela vitória de Lula (PT).
- Os pais e um amigo de Gustavo também participaram das agressões, segundo o boletim de ocorrências ao qual o g1 teve acesso.
- Marcelo Ribeiro Delgado Junior foi atingido na cabeça por garrafas e sofreu fraturas no braço.
- Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o crime de lesão corporal.
- Justiça deferiu medida protetiva contra os três familiares da vítima.
Gustavo Schiphorst, assessor do vereador e deputado federal eleito Jair Renan Bolsonaro (PL), é investigado por agredir o próprio primo em Florianópolis, na noite de domingo (25), após o resultado das eleições que terminaram com a vitória de Lula (PT). A mãe, o pai e um amigo dele também participaram da violência, de acordo com o boletim de ocorrência ao qual o g1 teve acesso.
As famílias envolvidas no caso são vizinhas, moradoras do bairro Vargem Grande. Conforme o relato, Marcelo Ribeiro Delgado Junior chegou a ser atingido na cabeça por garrafas e sofreu fraturas no braço e precisou de atendimento médico no Hospital Governador Celso Ramos.
Jair Renan é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão de Flávio Bolsonaro, que fugiu do Brasil após as eleições de domingo. Neste ano, Jair Renan foi eleito deputado federal por Santa Catarina. Atualmente, é vereador em Balneário Camboriú, onde o Gustavo Schiphorst trabalha como comissionado.
O g1 procurou a defesa de Gustavo, mas não teve retorno. A reportagem também buscou o gabinete de Jair Renan e o próprio parlamentar, além das assessorias do PL em Santa Catarina e da Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (28). Nenhum dos contatos retornou aos pedidos de informação.
Procurada, a Polícia Civil afirmou que o boletim de ocorrência pelo crime de lesão corporal foi feito na terça-feira (27) e que um inquérito foi instaurado pela 7ª Delegacia de Polícia da Capital para apurar os fatos.
O caso foi divulgado pelo vereador Leonel Camasão (PSOL) e repercutiu nas redes sociais. As informações também foram confirmadas pelo g1.
O que diz o boletim
De acordo com o depoimento da esposa de Marcelo à Polícia Civil, o conflito começou quando garrafas de vidro foram arremessadas contra a casa da família, quase atingindo um filho do casal. O registro não detalhou se havia comemoração na residência.
Com a situação, o Marcelo foi até a casa dos agressores questionar e pedir que a ação parasse. Naquele momento, foi agredido por Camila Braun Schipthorrst e Michel Schphorrst, mãe e pai de Gustavo e tios de Marcelo. Além deles, Lucas Ferreira Amorim, identificado como amigo de Gustavo, também cometeu as agressões, segundo o relato no B.O.
Ao tentar intervir para proteger o marido, a mulher relatou ter sido agredida.
Após o caso, Marcelo e a esposa solicitaram uma medida protetiva contra os três familiares, medida deferida na Justiça na terça-feira, com base na Lei Maria da Penha. Conforme a determinação, o trio foi proibido de se aproximar da família, devendo guardar uma distância mínima de 200 metros.
Quem é Gustavo
Gustavo atua como assessor parlamentar no gabinete de Jair Renan em Balneário Camboriú. De acordo com o Portal da Transparência, ocupa o cargo o comissionado desde 16 de julho deste ano, com remuneração de R$ 4.441,96 e jornada de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h.
Gustavo também é estudante de Administração Pública na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Após o caso repercutir, o Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) afirmou que, diante da gravidade dos fatos, o caso será encaminhado às instâncias competentes da Universidade.
“A Udesc esclarece que não antecipa conclusões sobre a responsabilidade individual de pessoas envolvidas em ocorrências externas que estejam sob apuração pelas autoridades competentes. Eventuais medidas disciplinares serão adotadas, quando cabíveis, mediante os procedimentos previstos nas normas da Universidade, assegurados o contraditório e a ampla defesa”, disse a instituição.
Por: Caroline Borges, g1 SC

