COMTUR Osasco se confunde e usa avião que remete ao 14-Bis no lugar do histórico aeroplano São Paulo

Nova identidade visual do COMTUR Osasco foi apresentada durante o Café com Turismo, na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Osasco (AEO). A representação da aeronave chama atenção por suas características semelhantes às do 14-Bis, enquanto a história da aviação em Osasco está diretamente ligada ao aeroplano São Paulo, de Dimitri Sensaud de Lavaud. Crédito: Divulgação

Identidade visual adotada pela atual e recente diretoria do Conselho Municipal de Turismo foi apresentada durante o Café com Turismo, realizado na última semana na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Osasco (AEO), e chama atenção pela representação da aeronave.

O Conselho Municipal de Turismo de Osasco (COMTUR) apresentou recentemente sua nova identidade visual, adotada pela atual diretoria do Conselho. O novo logotipo ganhou visibilidade durante o Café com Turismo, realizado na última semana na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Osasco (AEO).

Entre os elementos escolhidos para representar o turismo e a identidade da cidade está uma pequena aeronave. É justamente nesse detalhe que surge uma possível inconsistência histórica: o avião desenhado no novo logotipo apresenta características de um biplano, remetendo visualmente ao 14-Bis, de Alberto Santos-Dumont.

O problema é que o avião relacionado diretamente à história da aviação em Osasco não é o 14-Bis.

A cidade possui seu próprio pioneiro e sua própria aeronave nesse capítulo da história.

Em 7 de janeiro de 1910, o engenheiro e inventor Dimitri Sensaud de Lavaud realizou em Osasco o voo do aeroplano São Paulo, aeronave construída por ele e que se tornou parte da memória histórica do município.

E existe uma diferença visual importante: o aeroplano São Paulo era um monoplano, enquanto a aeronave representada no novo logotipo do COMTUR apresenta dois planos de asas sobrepostos, característica de um biplano.

Novo logo foi apresentado pela atual diretoria

A questão ganha ainda mais relevância pelo fato de não se tratar de uma identidade antiga, herdada de outras administrações do Conselho.

O logotipo integra a identidade da atual e recente diretoria do COMTUR e foi apresentado publicamente no Café com Turismo, encontro realizado na última semana na sede da AEO.

Durante o evento, a nova marca apareceu em destaque no material projetado no palco, identificando o COMTUR como realizador da atividade.

Na imagem, o pequeno avião aparece integrado à logomarca. Quando ampliado, é possível observar com maior clareza sua configuração de biplano.

A escolha chama atenção justamente porque o Conselho Municipal de Turismo tem entre suas funções a valorização da história, da memória, dos símbolos e das potencialidades turísticas de Osasco.

O avião da história de Osasco é o São Paulo

Se a presença de uma aeronave no logotipo pretende fazer referência ao pioneirismo da aviação na cidade, o símbolo historicamente relacionado a Osasco é o aeroplano São Paulo, de Dimitri Sensaud de Lavaud.

O episódio de 1910 representa um patrimônio que Osasco pode explorar inclusive do ponto de vista turístico e educacional.

Por isso, utilizar corretamente a imagem do São Paulo permitiria que o próprio logotipo do Conselho despertasse a curiosidade sobre esse capítulo da história municipal.

Quem foi Dimitri? O que foi o aeroplano São Paulo? Por que Osasco possui importância para a história da aviação?

Essas são perguntas que poderiam nascer simplesmente da observação da marca e contribuir para a divulgação do patrimônio histórico local.

14-Bis tem sua história; Osasco tem a sua

A discussão não diminui em absolutamente nada a importância de Alberto Santos-Dumont e do 14-Bis para a história brasileira e mundial da aviação.

O ponto é justamente outro.

O 14-Bis está associado à trajetória de Santos-Dumont e aos históricos voos realizados na França em 1906. Já Osasco possui uma história aeronáutica própria, protagonizada alguns anos depois por Dimitri Sensaud de Lavaud.

Por isso, para um órgão dedicado especificamente ao turismo de Osasco, seria natural que a representação escolhida valorizasse a aeronave que efetivamente faz parte da memória da cidade.

Identidade visual pode ser revista

 

Como a identidade é recente e está sendo apresentada pela atual diretoria, existe também a oportunidade de o próprio COMTUR avaliar a representação antes que ela se consolide definitivamente.

Uma eventual correção não precisaria eliminar a referência à aviação. Pelo contrário: poderia fortalecê-la.

Substituir a representação genérica de um biplano por uma ilustração historicamente fiel ao aeroplano São Paulo transformaria a marca em uma ferramenta de valorização de Dimitri e da história osasquense.

Mais do que uma discussão sobre desenho ou estética, a questão envolve identidade, memória e turismo.

Se o Conselho Municipal de Turismo decidiu colocar um avião em sua nova marca para representar Osasco, há uma aeronave que possui legitimidade histórica para ocupar esse espaço.

O 14-Bis pertence à extraordinária história de Santos-Dumont. O aeroplano São Paulo pertence à história de Dimitri Sensaud de Lavaud e de Osasco.

E justamente por se tratar do Conselho Municipal de Turismo, valorizar essa diferença é também uma forma de valorizar aquilo que a cidade tem de único.