Organizado pelo órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), certame segue com inscrições abertas.
Um levantamento de dados da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) aponta que o manejo correto é uma das principais características dos cafés mais bem pontuados nos últimos três anos de seu concurso estadual de qualidade da bebida. A informação foi apresentada na última terça-feira (18) em reunião de técnicos do órgão da SAA, que foi realizada no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
“O capricho na seleção dos lotes pode explicar cerca de ¼ da diferença observada entre os cafés que alcançam as maiores pontuações no Concurso Qualidade do Café de São Paulo. Fizemos esse levantamento a partir das amostras entregues nas edições de 2023, 2024 e 2025. Esse dado chama a atenção, pois a maioria dos cafeicultores acredita que somente as variedades das plantas e os fatores climáticos são determinantes para uma produção campeã”, comentou Osmar de Almeida Júnior, gestor do QualiCaféSP, projeto da CATI que é executado em 16 de suas 40 regionais espalhadas pelo estado.
No encontro do projeto, 23 técnicos da instituição conheceram os critérios de classificação física e sensorial das amostras do certame, em uma espécie de aula prática ministrada por Gerson Silva Giomo, pesquisador científico do Centro de Café “Alcides Carvalho”, localizado na Fazenda Santa Elisa, do IAC. Segundo Osmar, “por meio dessa dinâmica, os servidores lotados nas Casas da Agricultura, da CATI, estarão mais preparados para amparar os produtores no preparo dos lotes de café participantes no concurso”.
“Esse tipo de curso é muito importante para nós, extensionistas rurais. No meu caso, como trabalho em uma região onde o cultivo do café não é tradicional, quanto mais informações for possível adquirir sobre a cultura, melhor para o produtor, com quem vamos compartilhar nosso conhecimento”, afirmou Rogério Haruo Sakai, engenheiro agrônomo da Regional Registro. Ele é o especialista agropecuário da CATI que dá assistência técnica para o casal de Barra do Turvo que produz o atual melhor café do Estado de São Paulo.
Em sua palestra, Giomo apresentou os critérios de classificação física, preparo e padronização das amostras de café. Os fundamentos da análise sensorial, protocolos de avaliação e interpretação dos resultados também foram explicados pelo pesquisador científico. “Além da exposição para melhor avaliarmos os grãos que vão participar do concurso, aprendemos técnicas de cultivo e manejo que estão sendo aplicadas em cultivos de cafés especiais. Como no Vale do Ribeira tem excesso de umidade, com chuva o ano todo, é desafio de compartilhar essas boas práticas de produção e processamento é ainda maior”, ressaltou Sakai.
Outras palestras
O Encontro de Técnicos do QualiCaféSP contou com outros palestrantes. O Método de Identificação do Grau de Gestão (MIGG) foi abordado por Flávia Maria de Mello Bliska, pesquisadora do IAC. Ela explicou como é feita a aplicação da metodologia em propriedades e sua importância nas ações do projeto. “O MIGG é simples e pode ser aplicado rapidamente. Por meio dele, os empresários rurais conseguem identificar o grau gerencial de suas atividades”, disse a pesquisadora, que indicou aos participantes o acesso ao site migg.fundag.br, para que repassem aos cafeicultores paulistas atendidos pela CATI.
No dia anterior, Roberto Antonio Thomaziello, pesquisador aposentado do IAC, apresentou os principais tratos culturais e de manejo nutricional no setor cafeeiro; nematoides foi o tema exposto por Oliveiro Guerreiro Filho, cientista do Centro de Café do IAC, e Cláudio Marcelo Gonçalves de Oliveira, pesquisador do Laboratório de Nematologia do Centro Experimental do Instituto Biológico. “Essa palestra conjunta abordou: ocorrência, danos e diagnóstico de nematoides na cafeicultura; estratégias de prevenção e manejo; utilização de porta-enxertos e cultivares resistentes como alternativas para áreas infestadas”, resumiu Júnior.
“Esse curso foi muito importante para aumentar nosso conhecimento sobre a cultura. Na palestra do Dr. Thomaziello, por exemplo, descobrimos as variedades que melhor se adaptam em ambientes diversos do território brasileiro. Isso é muito importante para a nossa região, de Barretos, onde está iniciando o cultivo comercial de café. Vou levar as informações adquiridas aos produtores, especialmente àqueles que têm interesse em competir no certame da CATI”, comentou Marina Alves Clemente, engenheira agrônoma e chefe de Divisão da Casa da Agricultura de Bebedouro.
Para saber mais sobre o 25º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, acesse: agricultura.sp.gov.br/cati/concurso-estadual-qualidade-do-cafe-desao-paulo


