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OPOSIÇÃO E DEMOCRACIA

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 Por *Rui Perdigão*

Quem sou eu para escrever sobre democracia ou poliarquia depois de Aristóteles e de muitíssimos outros bem mais habilitados. Contudo, os dias de hoje incomodam-me ao ponto de querer dizer entender que sem oposição não existe democracia. Penso tratar-se de uma afirmação tranquila, bem aceite por aqueles que são democratas. Outros talvez entendam que, independentemente do que possa ser sinalizado ou contrariamente defendido, toda a oposição precisa ser desqualificada e suprimida na primeira oportunidade, nem que para isso seja necessário recorrer a comitês de maldade. Um entendimento que por princípio me preocupa pela fragilidade do debate imprescindível ao processo civilizacional.

Ideologicamente, espera-se do regime democrático a alternância de poder, feita através da regular seleção de um programa político-partidário a ser escolhido pelo povo por meio do método universal de uma pessoa, um voto. Como é sabido, a democracia pode ser mais direta, mais participativa ou representativa e pode também estar em diferentes estágios de maturação. Outra coisa que se sabe é que não é perfeita e que tem pessoas que, democraticamente eleitas, interpretam essa forma estrutural do estado como indesejável, igual interpretam o espaço político da oposição. A essas pessoas é importante recordar que a oposição é inerente ao modelo e que ela desfruta de igual legitimidade pelo voto que lhe é conferido.

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Sem querer comentar sobre formas mais subversivas de oposição, sempre mais ativa nos regimes ditatoriais, nem dar destaque há oposição mais íntegra dos modelos mais igualitários, a verdade é que a ausência de oposição em democracia é uma falha no sistema. Uma falha introduzida por pessoas, obviamente.

Assim como prontamente nos expressamos sobre erros ou incapacidade dos governantes em operar as melhorias necessárias na vida das pessoas, é importante que também saibamos opinar a respeito do trabalho da oposição. Uma oposição qualificada eleva a fasquia da governação. Uma posição calada, vendida, incapaz de fazer um trabalho mínimo de observação e cobrança do que foi sufragado, é vergonhosa.

Inverter isso não fácil. O peso histórico e cultural, o déficit acadêmico e intelectual, e as muitas vontades ainda existentes de que o Brasil assim permaneça, dificulta muito as coisas. Dificuldades às quais se juntam as complicações advindas do fato de uma boa parte das propostas politicas não serem mais lidas dado o conhecimento que já se tem delas. Já se sabe que nelas tudo cabe e se repete, em particular as incongruências e em especial a falta de correspondência com as práticas no mandato. Por outro lado, os exageros de personificação das propostas politicas é também algo nocivo ao processo. Não pelo simbolismo que uma determinada figura possa despertar, mas pela responsabilidade que lhe é exclusivamente imputada em eventuais sucessos ou insucessos. Tudo acaba girando em torno de um alguém, sem a respectiva assunção e compartilhamento com demais envolvidos. Para esses basta só displicentemente se dar bem.

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Resumindo, é nesse vácuo que se colocam às pessoas as propostas de construção do amanhã. Um cenário desértico onde a cada vento forte as dunas se reposicionam e fazem as pessoas sentir que a política é como nuvem. Mas não é. Para mim não é. Posso reconhecer que se mudam os tempos, mudam-se as vontades, mas numa escala de tempo que não cabe numa só vida. Nestas vidas, entre outras coisas, o que sempre tem espaço é seriedade, idoneidade e sinceridade. Um ideário… esse, uns têm, outros não.

Retornando ao assunto oposição, talvez seja didático mencionar que um governante que se preze, dá diferenciada atenção à oposição e aos puxa-saco que sempre orbitam contentes e gordurosos em seu redor. Não porque queira aplicar os ensinamentos de Sun Tzu, mas porque no seu íntimo sabe que só os fracos temem a oposição e só os fortes a sabem fazer.

*Rui Perdigão – Administrador, geógrafo e presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso. 

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Dante de Oliveira: um símbolo democrata que inspira gerações

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Por EMANUEL PINHEIRO*

Se fosse possível descrever Dante Martins de Oliveira em uma palavra, eu diria hoje: inspirador! Definido pelo dicionário como a capacidade de motivar, estimular e entusiasmar, o adjetivo é uma das principais características de um líder, como foi Dante, que completaria 70 anos, neste domingo (06). Esse atributo é tão notável na trajetória do estadista que, mesmo após 15 anos de sua morte, sua influência continua enraizada na política nacional.

Sua marca está, eternamente, presente na democracia brasileira, que o tem como um dos grandes combatentes da ditadura militar e na luta pela devolução do legítimo poder da livre manifestação e escolha para o povo. Poucas figuras políticas simbolizam tanto a democracia e a liberdade como ele. E isso é inspirador! Inspirador para quem caminhou ao seu lado, para quem o acompanhou de longe, e para quem o conhece pelos registros históricos.

A propósito, privilegiados são todos aqueles que carregam em seus ideais a influência de Dante. E digo isso com o coração cheio de orgulho, pois ele foi homem de uma vocação extraordinária para o que fazia e que deixou para Mato Grosso a reestruturação do estado como o maior símbolo de uma gestão responsável. Não era um carreirista, mas sim um idealista com alma popular e uma visão futurista.

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Como grande líder, soube dar alguns passos para trás para que pudesse, posteriormente, avançar, preparando nosso estado para ser a potência que é atualmente. Mesmo contrariando suas ideologias políticas a época, mas sem abrir mão de seus princípios democráticos, entendeu a impotência de se redefinir como gestor e liderança política para tomar decisões fundamentais para o futuro das gerações, especialmente quando governou Mato Grosso.

Em Cuiabá, exerceu ainda jovem o espírito visionário, realizando obras estruturantes que mudaram a história da Capital. Um exemplo disso é a construção da Avenida Migue Sutil. Na época, contou com o apoio do então governador Carlos Bezerra e hoje é impossível imaginar Cuiabá sem a popular Perimetral. Dante viu Cuiabá na frente, enxergou uma cidade futurística, e defendeu “com unhas e dentes” esse sonho.

Essa é uma das inspirações da nossa gestão à frente da Prefeitura de Cuiabá. Assim como fez Dante de Oliveira, procuramos pensar em uma Cuiabá do futuro e tirar do papel obras que atendem a necessidade imediata da população e, ao mesmo tempo, transportam nossa cidade para o horizonte. Contorno Leste, viadutos, novo hospital municipal, estão entre as estruturas que construímos hoje pensando no amanhã.

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A influência de Dante de Oliveira também está presenta na nossa atuação política. Dante era um estadista, defensor da democracia, da liberdade de opinião e do constante diálogo com os que ajudam a constituir uma sociedade. Era diferente, pois entendia como poucos a essência da politica, que é trabalhar em sintonia com o povo e pelo povo. Dante, sem dúvidas, é um inspirador e esse é um de seus legados que permanecem para sempre.

*Prefeito de Cuiabá

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